O 25!

Todos nós temos um número da sorte, aquele que achamos que nos acompanha a toda a hora mesmo nas missões mais difíceis que nos criam alento na nossa vida.

Hoje abracei o 25!

Aparentemente um número simpático, um tanto ao quanto modesto e que de há uns tempos para cá tem sido um pouco enaltecido, calçada acima, sempre no seu passo certeiro.

O 25 transforma lágrimas em sorrisos, abraços em aconchegos e olhares em amor. Gostava da companhia de meio mundo, fazia questão de enaltecer o ego quando se sentava à lareira e começava a ler o jornal de notícias. Puxava pelo seu lenço de pano, ou não fosse menosprezar modernices, e num jingle inovador, entoava uma nova melodia.

Vinho branco ou tinto? – ousava eu questionar algumas vezes… Ao que a resposta era sempre a mesma: Cheio! O 25 era do carago! Magro, esguio e de uma força interior avassaladora. Não permitia que houvesse contradições nem sermões de missa cantada. Vamos ao vinho e às batatas com a posta de bacalhau, minha gente!

Garfada aqui, copada ali e entravamos na valsa da gargalhada. Quem nunca soltou uma gargalhada no meio de uma garfada de couve, não sabe o que é ser feliz!

No prolongamento, dávamos asas à degustação do colesterol ou diabetes, qui ça: rabanadas, bolo-rei, pão doce, figos, pão-de-ló (…) uma panóplia de bolos e bolinhos que mais parecia que uma pessoa não comia durante os restantes 364 dias do ano!

Puxa rabanada para aqui, copo de vinho fino para ali e estômago em chamas!

Ás de espadas na mesa e valete à procura da sua fiel dama.

-Isso é batotice!

Sabes 25, quanta batotice fizemos nós, no meio de gargalhadas que nos tiravam o fôlego e de abraços que nos sufocavam? E as nossas danças após vitória? Ah, essas é que tinham um sabor especial! Qual tango, qual quê?

E nos after hour, no momento que o esqueleto já pedia o seu merecido descanso, ousávamos continuar a inovar ainda mais! Não é que a carpete tinha o seu quê de artigo valioso? Isso ou quando a mãe pegava no chinelo e varria a sala toda, nem nós nos escapavamos! (riso)

Quantas vezes vimos o mesmo circo, à mesma hora, no mesmo canal de televisão e na mesma carpete? Quantas vezes a expressão de entusiasmo tomou conta de nós, mesmo estando fartos de saber que o ilusionista nem nos ia conseguir iludir verdadeiramente? E o sozinho em casa, lembras 25? Esperamos tantas vezes que houvesse a versão “acompanhado em casa”.

As migas eram sempre feitas para ti, após a sessão do chinelo voador (confesso que houve alturas que pensei que a mãe andava a ver demasiado Aladdin). Engane-se quem pensa que eram umas migas iguais a todas as outras. Estas tinham um toque diferente. Porque quem as ia beber, era uma pessoa diferente!

Sabes…

Hoje é 25…

A casa está mais vazia mas os corações continuam quentes. Não mais houve sessões de OVNIs ternurentos nem batotice, no jogo da sueca. No entanto, no mesmo dia, à mesma hora, pensando na mesma pessoa, lá vem o cheiro das migas quentes invadir as narinas mais pequenas.

Sabes…

Hoje é 25!

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