Pôr-do-sol

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Vestia preto e ia de braço dado com a simplicidade. Os olhos sorriam e a voz era leve: tão leve como uma pluma que de entre suaves rodopios vento fora, dançava ao sabor da geada. Cabelos ruivos e encaracolados, contam que outrora serviam de baloiço para as tranças mais genuínas.

Olhar vazio, sorriso tenro e inconstante, expressões de afecto camufladas pelos Ray ban escuros. Sotaque carregado, doces palavras que traziam o rasgo do samba no pé. Garrafa de vinho na mão, tinto, talvez! Algo que aqueça a alma, neste gélido dia, por favor!

Sentou-se no jardim…

Rodeada de gente que enaltecia egos, rodopiava sem parar, latidos vários… e assobios? Esses então confundiam-se com as gargalhadas das crianças que outrora corriam sem parar. A vista era magnífica: Gaia ou Porto? (eis a questão).

A brisa afagava os rostos mais quentes e os corações mais frios. Ora se no Porto és amado, em Gaia és amante: amado pelas paisagens enriquecedoras, amante do trago amargo e rosáceo que invade a saliva mais sóbria!

Contam os mais sábios que de entre uns goles puros saem algumas verdades, jamais identificadas noutra estância. Uma eterna apaixonada. Amante das borboletas na barriga, aquele bichinho saltitante que ousa aparecer mesmo não sendo convidado.

Vendo o pôr-do-sol, acolhendo diversos idiomas, observando novos vôos e rejuvenescentes experiências: uma foto aqui, outra ali; foto de perfil, foto de pernas para o ar; foto a preto e branco, com degrade… Quantas fotos cabem num só rolo?

Mais um gole e num soluçar, acabou a garrafa!

Além, um casal feliz.

Mãos dadas, sorriso de orelha a orelha e olhos brilhantes: o mundo é vosso! Abraçavam o pôr-do-sol como se fosse o último momento das suas vidas! E que felizes que estavam… Ele sabia que ela gostava do silêncio, do mar, da aventura do dia-a-dia. Ele era social, resguardado na sua modéstia forma de abordar, gostava de desporto.

Saboreavam o vento, observavam o cair da noite, degustavam a plenitude do que sentiam e isso bastava! Um do outro!

burst

Quantos pôr-do-sol são precisos para que as borboletas degustem as mais belas paisagens de amor?

Um comentário em “Pôr-do-sol

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